Dicas para cabelos em transição.

É uma técnica bem antiga e pode ser usada, principalmente, por quem está sofrendo com a transição capilar. Ajuda a definir os cachos. Mas se você já tem seus cachos e os que mais definidos para um penteado mega, então anota ai a dica!

Eu chamo de “mutucas”, mas se você conhecer outro nome me avise aqui nos comentários.

O resultado final são cachos definidos e bem uniformes.

Vamos lá!

Tudo o que vai precisar é de um óleo(opcional), e um gel de cabelo ou creme de pentear que deixa bem durinho. O capicilin é ótimo para fazer isso. Aqui usei gel.

O truque é simples.Umedeça todo o cabelo e aplique o óleo. Divida o cabelo em várias mechas e vá separando. Aplique seu gel. Enrole a mecha de cabelo com os dedos como quem está fazendo um enroladinho para prender em um coque. Vá aplicando o gel a cada mecha que for fazer.

Depois de enrolado deite a mecha no couro cabeludo e vá dando voltas em torno da própria mecha. Use grampos se preferir. Parece meio difícil de entender mas é bem fácil. A explicação para isso é vários “coques”.

Fica assim…

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Quando fiz, dormi de um dia para o outro. Você pode fazer e deixar no minimo 5 horas ou até que seque bem as mechas.  Não é bom dormir pois o cabelo estará úmido, o bom é fazer durante o dia mesmo. Se preferir seque com o secador no modo frio.

Vá desmanchando com cuidado. Depois de todas as mechas desenroladas vá “abrindo” aos poucos até que os cachos fiquem mais uniformes e com volume. Vá amassando o cabelo para que o “durinho” se desfaça.  Agora é com você. Use e abuse dos seus cachos.

Este é o resultado final! Espero que gostem!!!

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Óleo de Rícino

Fotor_142221632692865O que é?

O óleo de rícino é um óleo extraído das sementes de mamona. Tem propriedades terapêuticas e medicinais. Comumente é usado para constipação intestinal, infecções por fungos, queimaduras de sol, inflamações, quedas de cabelo, etc.

De algum tempo para cá, ele tem se popularizado no meio da mulherada como um ótimo parceiro para os cuidados capilares. Por ter substancias anti-inflamatórias, antioxidantes  e vitamina E, fazem muito bem para a nossa raiz capilar e para os fios do cabelo.

Quais os benefícios ?

Fortalece os fios, combate a queda e a quebra, auxilia no crescimento, ativa a circulação do couro capilar, Hidrata os fios profundamente. Contem propriedades anti-bacterianas e anti-fungicidas que combate as caspas e previne irritações capilares, sela as cutículas da fibra capilar dando brilho, maciez e sedosidade.

Onde é encontrado?

Nas farmácias e lojas de produtos naturais. Custa em torno de R$ 2,75.

Como deve ser usado?

O óleo de rícino pode ser usado nas hidratações, e umectações que você está habituada a fazer. Gosto muito de usar como umectante capilar nos dias de fazer nutrição em meus cabelos.  A aplicação pode ser feita conforme achar conveniente, mas para um melhor resultado aplique mecha por mecha, se concentrando no couro cabeludo, massageando com as pontas dos dedos com movimentos circulares.

É importante massagear o couro cabeludo para que ative a circulação e o óleo penetre nos fios.  Mesmo que você tenha cabelos oleosos esta fase é importante, pois ele vai ajudar a tratar e depois de lavado seu cabelo não ficará oleoso.

E sim, o óleo de rícino pode ser usado diretamente no couro cabeludo ele não vai entupir seu folículo capilar.

Deixe agir no minimo 2 horas ou faça touca a noite e durma com o produto nos cabelos. Retirando pela manhã. Antes de retirar faça mais uma massagem para estimular o couro cabeludo isso ativa a circulação e ajudará no crescimento dos fios.

Como deve ser retirado?

Você pode usar água morna para retirar o óleo dos cabelos, ela vai ajudar a quebrar com facilidade a gordura que ficou nos fios. Lembrando que a água é morna e não quente.   Depois pode lavar com o shampoo de sua preferência. Gosto de nesta fase seguir com uma hidratação caseira. Misturo creme com alguma verdura ou fruta, o que tiver disponível em casa, isso vai potencializar a hidratação. Este passo da hidratação é opcional, se não quiser seguir lave com shampoo e condicione os fios. Exangue e finalize normalmente.

Esta umectação é para todos os tipos de cabelo!

Eliane Santos

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Tempo de pipa

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É tempo de sonhar e viver. De se deixar levar e parar de se esconder.

É tempo de realizar, sorrir e amar, se deixar conduzir pelo aroma das flores.

É tempo de viver e amar sem saber, de imaginar que há corações precisando de amor.

É tempo de chorar, chorar de tanto rir e deixar manifestar esse sentimento que nos liberta!

É tempo de ser amigo, oferecer um sorriso, estender os braços e envolver o mundo!

É tempo de voar, esquecer que as limitações existem e dar saltos cada vez mais altos.

É tempo de se superar, esquecer limites e forçar, correr e alcançar!

É tempo de esquecer os medos e enfrentar, parar de se esconder e aparecer.

É tempo de realizar, olhar para dentro de si e manifestar os desejos mais profundos que há.

É tempo de dar ao tempo um tempo, e sentir o quanto você perdeu dando um tempo.

Não espere o tempo acabar para começar a fazer coisas que você deseja fazer. Realize sonhos. Viva intensamente. Corra atrás das pequenas alegrias da vida e nunca se esqueça de sempre olhar para o lado, pois a nossa felicidade sempre mora ao nosso lado…

Eliane Santos

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A menina e a Borboleta.

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Em uma tarde, a vi correr.

Seu longo vestido turquesa voava delicadamente,

Ela queria voar, ela queria bailar, mas tudo o que eu queria era olhar a longa tranças do seu cabelo.

Era menina, doce inocente, morena e de traços quentes.

Era formosa, e muito sorridente, sabia bailar como bailarina sonhadora.

Colhia flores com amor, e deixava as pétalas caírem, só para me encantar…

Ela cantarolava e me conduzia ao seu doce cheiro.

Menina, se me deixar te abraçar, em minhas asas pode morar.

E quando o inverno chegar me cobrirei com os teus negros cabelos cacheados para  nunca mais sentir saudades do cheiro de rosas que eles me trazem.

Te vejo de longe e mal sabes que sonho um dia morar em teus cabelos…

E quando morar serei a borboleta mais feliz que neste jardim já se viu voar…

Eliane Santos

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Cuidados com cabelos Crespos e Cacheados

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Ter cabelos cacheados, as vezes não é nada fácil. Porém não é um bicho de sete cabeças.

Se você está no caminho para obter seus cachos, ou se já os tem, e não sabe como cuidar deles, aqui vão algumas dicas que me ajudaram muito e que talvez possa te ajudar também.

É importante saber que o cabelo Crespo ou cacheado  é mais seco e mais sensível. Ou seja, ele precisa de cuidados redobrados. Por isso, hidratações duas vezes na semana é o minimo para mantê-los sempre saudáveis e sedosos.

Umectações capilares são essenciais.  Pelo menos uma vez por semana, ou de duas em duas semanas.

Tome cuidado com o Shampoo. Ele deixa nosso cabelo mais “espigado” com aspecto seco. Recomendo que use dois tipos de shampoo. Um para limpar e outro para hidratar. Os shampoos de limpeza são mais transparentes, eles tem mais detergentes que os shampoo de hidratações, que são os mais cremosos.

Faça um pré-poo pelo menos uma vez por mês antes das lavagens, ou sempre que achar que seu cabelo tá seco demais. O pré-poo é apenas uma preparação antes da lavagem capilar, ele vai proteger o seu cabelo das agressões do shampoo, vai evitar a quebra,  e vai repor a umidade que seu cabelo perdeu desde a última lavagem.  Deixando mais macio, e evitando ressecamento.

Abuse das hidratações caseiras! Nosso cabelo ama banana, coco, abacate, babosa, ovos, maça, cenoura, tomate, beterraba, castanhas… Potencialize sua máscara  com alimentos da terra, faz toda a diferença!!! Os industrializados também ajudam, como o leite de coco, o creme de leite a maionese, chocolate,  mel, açúcar mascavo, aveia, etc. São ótimos os alimentos concentrados em gorduras.

Se você está passando por transição, aconselho a começar a fazer o cronograma capilar, ele vai ajudar a repor as vitaminas, nutrientes e a hidratação que seu cabelo perdeu. Na verdade o cronograma capilar é recomendado para todos os tipos de cabelo, não só os crespos e cacheados, mas também os que são tratados quimicamente sendo liso ou não.

Evite lavar o cabelo em água quente! Ela vai tirar a oleosidade natural que nosso cabelo praticamente nem tem. Use água morna apenas nas lavagens de umectação capilar.  Nos dias normais, use água fria.

Use pentes de dentes largos de madeira. A madeira não deixa os fios eletrizados, vai diminuir bastante o frizz. Particularmente, raramente faço uso de pentes, quebra demais o meu cabelo. Uso apenas os dedos para desembaraçar.

Estas dicas, me ajudaram e espero que possa te ajudar também. Pretendo compartilhar receitas caseiras e explicar melhor o uso do cronograma e das umectações capilares.

Eliane Santos

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Cabelos Crespos? Afinal quem sou?

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É levianamente interessante como uma simples pergunta pode nos levar a divagar por horas em nossos pensamentos e por fim não haver resposta alguma. Há exatamente sete meses e um dias, me olhei no espelho e vi alguém que talvez eu conhecesse pouco, ou melhor, que eu não queria conhecer bem. Escondia-me de mim mesma. Pode me achar meio louca, e saiba que eu sou, mas me olhando naquele espelho eu vi alguém que jamais tinha visto. De cabelos molhados, curtos e cacheados eu percebi que em minha vida inteira eu jamais tinha me visto assim. (De certo, acredite que estou a exagerar, perdoe, isso vem da personalidade feminina).

Olhei-me, olhei, olhei e olhei, mexi aqui e ali remexi, subi, prendi, e olhei de novo. Quando vi estava mandando fotos para minhas amigas e querendo saber  opiniões a respeito do meu novo visual. A resposta foi: “legal”, você tá linda assim”, “que diferente”, “uau, é você mesma?” Por ai vai… Mas o que me chamou mais atenção foi o comentário que uma delas me fez: ” aceitar nosso cabelo crespo é aceitar quem a gente é, a nossa história…você vai se descobrir…não tenha medo.

Confesso que esta saga de cabelo natural não foi fácil e não é fácil. Pois a principio você se sente feia, tem suas crises de “existencialismo capilar” (Por quê Deus me fez assim? Por quê não tenho cabelos lisos? Oh céus, oh vida!) Mas acredite, passa! Quando você vê, está se acostumando… E fazendo para que o seu cabelinho se torne sua marca registrada.

Não passei por transição, por sorte meu cabelo tinha crescido o suficiente nestes dois anos que eu os escondi com a chapinha. E aos poucos percebo que eu nunca soube realmente cuidar dos meus cabelos.

A mídia ensina que cabelo bom, é cabelo liso, por isso ,”matamos” ou melhor, nos matamos por um cabelo liso. E quando nos revelamos cacheadas ou crespas temos que ouvir das outras pessoas que é feio, que é ruim, que ficamos feias assim. É ai que não sabemos nada sobre nós mesmos de novo. Quando você se conhecesse você cria sua própria opinião e a defende com unhas e dentes, é assim que você terá que ser quando quiser se assumir crespa.

Não estou aqui para mudar a opinião de ninguém a respeito do seu cabelo. Cada um faça melhor do jeito que quiser, mas quero lhe chamar atenção ao fato de que você ai, seja quem for tem um cabelo lindo que só precisa de cuidados. E acredite,  descobri que sei pouco sobre minha personalidade, pois o cabelo faz parte dela, e aos poucos estou cultivando descobertas e estou aprendendo um pouco com elas.

Se você é crespa ou cacheada permita-se agora olhar-se no espelho por alguns instantes, mas faça isso com seus cabelos naturais, quem sabe isso não te faça refletir sobre sua personalidade, ou sobre o quanto tão pouco sabe sobre você. Nosso cabelo faz parte da nossa história, ele está conosco em todos os momentos da nossa vida.

Se permita hoje se conhecer melhor…

Eliane Santos

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O amor e outras coisas mais…

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Aviões de papel, tranças ao vento e cheiro de tortas de amora em tardes de inverno.

É assim que resumo a palavra Amor…

Quando a vi, soube, que me apaixonaria perdidamente.

Quando a beijei, descobri o infinito.

E quando senti seu abraço, percebi que jamais poderia viver longe dali.

Fiz as malas e morei em seu coração. Desisti da escola, pois a vida me ensinaria.

Desisti do emprego, só para viver de amor.

Esqueci a gravata em cima da estante e deixei os balões levarem seu buquê.

Para que mesmo as flores? Se seus sorrisos embelezariam os meus dias…

Largamos tudo e fugimos, pegamos o primeiro balão e partimos. Voamos para um lugar chamado Terra dos sonhos…

E lá sonhamos, e realizamos os sonhos mais lindos.

Compramos uma casinha a beira mar, vendemos estrelas, colhemos amor todos os dias.

Esquecemos que celulares existem e passamos a nos falamos todos os dias por mensagens, em aviões de papel.

Pezinhos nervosos correm pela nossa casa, e há mãozinhas espalhadas pelas nossas paredes cor marfim.

O silencio que havia em nós, hoje é abalado por risadas frenéticas de um serzinho banguelo.

E aquela vontade de querer saber o futuro, já não existe mais, pois és meu futuro, meu passado e meu maior e grande presente!

Eliane Santos

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Quando for amor…

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Nem sempre fui boa com esta historia de amor. Tudo o que sei é que amo e pronto!Sem palavras bonitas, sem o enjoo da suspiração…Só te amo! Com meias palavras comidas e um sorriso amarelado, sem preocupação de que vou te perder…

Se me perguntassem se a vida vale a pena. Eu diria por que não? Se tenho você, tudo vale a pena , pois a vida não seria muita coisa sem o teu sorriso a me cativar, sem teu olhar a me amar no silencio da noite, sem as cocegas e o cheirinho de café matinal…

O amor as vezes acaba sendo uma palavra cruzada em que você precisa acertar todas, para elas irem se encaixando aos poucos… Só que sempre perco nessas “palavras cruzadas”, erro tanto que quando vou ver ainda deu amor… mas só teve amor por que foi com você…

Posso te contar um segredo?

Sempre achei que amar, seria uma coisa de só pensar no ser amado o tempo inteiro, ou o coração dispara toda vez que eu o ver… Só que um dia estas coisas acabam. E amor que é amor dura. Ultrapassa o tempo, fecha os abismos, e sim, move montanhas…

Um dia quando deixar de te amar, saiba que foi quando morri…

Eliane Santos

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Amor e Liberdade

 

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Hoje pensei em nós. E pude relembrar dos momentos que passamos juntos que jamais poderei me esquecer, pois foram eles que me fizeram amar verdadeiramente.

Éramos jovens, tínhamos apenas vinte anos, nos conhecíamos desde que nascemos. Nossos pais eram amigos e crescemos juntos. Frequentávamos a mesma escola e partilhávamos dos mesmos sonhos.

Um belo dia, debaixo de uma macieira, você me roubou um beijo que tinha gosto de maça… desde então estamos juntos. Victor tinha pele clara, olhos verdes brilhantes, cabelos loiros. Magro, porém forte. Seus 1,80 metros sempre me pareceram bastante atraente. O típico garoto perfeito. Todos diziam que éramos um casal muito bonito. Por eu ter 1,75 metros, alcançava ele muito fácil. Adorava seus lábios rosados, tinha lábios carnudos e dentes bem alinhados. O sorriso dele era de tirar o fôlego. Lindo daquele jeito, era alvo fácil de garotas, mas via, em seus olhos, que ele queria somente a mim.

Passamos longas tardes quentes embaixo daqueles ipês, deitados sobre a grama. Olhávamos o céu e construíamos nosso futuro com as nuvens… Em uma destas tardes, soprou um vento quente que fez com que as flores amarelas começassem a dançar no ar e muitas borboletas voavam perto de nós. Como foi lindo aquele pequeno momento. Sentia-me viva, nos paralisamos diante de tamanha perfeição e, ali naquele momento, fizemos uma oração. Acho que durou um minuto ou dois. Até algumas borboletas voarem para outro lugar e outras repousarem sobre as veias do grande ipê. Seus cabelos louros agora eram o repouso de algumas borboletas, nós sorrimos alto e elas voaram, restando apenas uma de longas asas verdes com branco que ficou ali sem se importar com a nossa presença ou reclamar que estava em cima do seu cabelo. Foi quando tive a ideia de pegá-la. Aproximei-me dele devagar e, com as mãos juntas, eu a peguei. Corri para casa e a coloquei dentro de um ponte. Fiz furos para que ela não morresse. Quando voltei feliz e contente com a borboleta, vi seu olhar de desaprovação. Sabia que ele não aprovava minha ideia. Coloquei ela ao meu lado e sentei. Adorava borboletas!

Em uma manhã, quando voltei da aula de piano, meu pequeno irmão Lucas veio correndo ao meu encontro gritando, todo eufórico. Suas bochechas rosadas escondiam um sorriso banguela e, pegando em minha mão, me puxava para mostrar-me algo. Subimos para meu quarto, que ficava no que chamamos de sótão, meu pai tinha reformado e dado a mim, ele disse que eu precisava de espaço e privacidade, pois já era uma mulher. Vi, nos olhos de Lucas, uma inquietação. Foi quando alguém se aproximou por trás de mim e fechou meus olhos, estávamos parados diante da porta do meu quarto. Lucas dizia para não olhar para trás o tempo inteiro. Senti que eram suas mãos, pois elas cheiravam a avelã. Adorava o cheiro delas… “Somos Livres”, ele sussurrou em meu ouvido.

Abriu a porta e entramos. Senti Lucas fechar a porta desesperadamente ao passarmos, pois ela bateu forte. Victor tirou as mãos dos meus olhos e vi pequenos seres voarem dentro do meu quarto, meu coração bateu desesperadamente. A sensação que tive foi deslumbrante. Meu irmão pulava para espantar as borboletas que bailavam no ar. Havia inúmeras delas em minha cama. Eu rodopiava e soltava gargalhadas altas. Victor me puxou e dançamos ali, sem música alguma. E, ao nosso redor, elas dançavam também. Eu parei e abri os braços, algumas borboletas pousaram em meu vestido florido. E Lucas disse que elas achavam que eram flores de verdade.

Fechei os olhos maravilhada, parecia um sonho.  Perguntei como aquilo era possível. Lucas foi o primeiro a gritar dizendo que tinham passado a manhã inteira colhendo borboletas no pomar que tinha atrás da nossa casa. Era época de acasalamento das borboletas e elas sempre vinham para o pomar de maças que tínhamos, mas sabia que ele não gostava de prender bichos. Foi quando ele olhou pra mim e disse: “Somos livres Ana! E em breve teremos que ser mais livres”. Ele caminhou até minha longa janela, afastou as cortinas brancas e puxou o fecho para abri-las. “Agora, Lucas”, disse. “Precisamos deixá-las partirem, Ana, para que elas possam ser felizes”. Emocionei-me e, sem perceber, lágrimas rolavam. Lucas corria pelo quarto batendo os braços, tomando o cuidado para não pisar em alguma distraída que ficava no chão.

Com os olhos cheio de lágrimas, fui pegando algumas e colocando para fora. “Papai ajudou e ele parecia tão feliz”, disse Lucas ainda correndo e espantando as borboletas. Papai nunca foi o mesmo desde a morte da nossa mãe. Fazia três anos, desde então falta-lhe o brilho de alegria em seus lábios. E meu irmãozinho entendia aquilo, mesmo tendo apenas sete anos.

Demoramos quase uma hora para tirar todas elas. Mas foi gratificante. Jamais poderei me esquecer deste dia. E, uma semana depois, eu entendi o porquê de tudo aquilo.  Victor estava com uma doença, era câncer no intestino. A doença já estava em seu estado terminal, não tinha mais o que ser feito, apenas esperar o esperado… Ele sabia e nunca me contou! Por isso, ele sempre ia ao hospital, sempre passando mal, fazendo caras feias às vezes. E nunca me dizia que sentia dores. Victor tinha descoberto a doença há três meses. Por escolha dele, não quis fazer tratamento, pois os tratamentos o deixaria desacordado a maior parte do tempo e o deixaria cansado. Ele não queria aquilo, ele queria viver, só isso lhe importava.

Um dia você, prometeu jamais partir. E com os olhos molhados e brilhantes, sorriu, e me abraçou dizendo que eu seria seu anjo que sempre o levaria para o céu. Pensei que não ia perdoá-lo por ter escondido isso de mim. Mas, naquele momento, isso já não importava mais. Tudo o que eu queria era ficar ao seu lado. E depois compreendi sua decisão de não me contar. Jamais quis me ver triste. Ele dizia que a tristeza em meus olhos eram uma escuridão sem fim…

Não me arrependo de ter desistido de algumas coisas para passar aqueles dias com ele. Jamais me arrependerei das escolhas que fiz para estar ao seu lado. Pois o tempo era curto demais para nós. Estes últimos meses foram os mais difíceis que já passamos juntos. Já não via mais aquele brilho que tinha nos seus olhos quando sorria. Nossas tardes, embaixo do ipê, já não eram mais possíveis. Suas dores aumentavam e eu quem desfalecia. Seu corpo sangrava cada vez mais e eu quem sofria. E, mesmo diante disso tudo, ele ainda sorria para mim e arrancava sorrisos de mim…

Já não o reconhecia mais. Aquele rapaz alto e forte agora era tão frágil… Mesmo contra vontade, teve que ser internado. E eu não saia de perto dele. Seus pais e meu pai imploravam para que fosse para casa descansar, mas, para mim, não havia descanso sem ele…

Eles entenderam. Victor adorava ler. Tinha muitos livros em casa… e eu também. Lia para ele todos os dias. Meu pai sempre trazia um livro novo. E, o último que eu vi para ele, se chamava “O morro dos ventos uivantes”. Ele adorou o livro e pediu para que eu o lesse de novo. Victor sempre me incentivou a escrever, dizia que eu seria uma grande escritora. Tinha alguns meses em que estava trabalhando em um romance… baseado nele. Com a noticia da doença, a história do livro tomou outros rumos. Quando descobri, parei de escrever, mas, depois que fomos para o hospital, passei a escrever um pouco todos os dias. Levei um mês para terminar e pude ler para ele antes que ele entrasse no sono profundo para nunca mais acordar…

Lembro-me como se fosse hoje, ele começou a chorar, tinha sido a primeira vez que eu o via chorar, ele soluçava. Fiquei imóvel. E lágrimas não paravam de rolar. Levantei-me e me deitei ao seu lado. Abraçamo-nos e choramos como duas crianças. Seu pai entrou no quarto e viu aquela cena sem dizer uma palavra. Deu meia volta e só ouvi o barulho da porta fechando atrás de si. “Eu te amo, te amo e te amo…”. Pegou minha mão e colocou em seu coração que batia freneticamente. “Tá ouvindo? É ele falando que ama você… Pois eu jamais poderei dizer em palavras o quanto amo você, Ana”. Ele sussurrou novamente: “É preciso que você deixe as borboletas voarem novamente. É preciso que elas voem… e retornem para casa”.  Consenti com a cabeça e adormecemos.

Acordei pela manhã e um feixe de luz, que saia pela janela, acertava seus cabelos louros que os deixavam mais brilhantes. Por um instante, eu observei seu rosto magro e pálido. Ele era tão lindo. Beijei sua testa e seu rosto para acordá-lo, pois precisava tomar remédios e a enfermeira daqui a pouco estaria ali. Ele não acordou. Eu toquei em sua mão ainda quente, não conseguia acreditar. Seu rosto ainda estava morno, o balancei de leve e percebi que, naquele momento, estava sozinha. Chorei desesperadamente, pois senti que alguém havia arrancado uma parte de mim. De joelhos no chão, chamei por Deus: “Senhor, a ti entrego parte do meu coração, pois não quero que parte de mim morra hoje, quero apenas que parte de mim adormeça em um sono profundo para que um dia possamos acordar juntos…”.

Sai dali e vi seu pai, que dormia no corredor. Eu sentei ao seu lado, o abracei e soluçava. Ele despertou e me abraçou também. “Ele se foi”, eu disse. Ele me abraçou mais forte ainda e chorava feito uma criança.

Victor se foi e o amor que sinto por ele nunca mudou. Hoje sou casada, tenho três lindos filhos e sei que o amo intensamente. Ainda tenho a borboleta que amou os seus cabelos… Ainda tenho as lembranças que um dia fizeram parte de nossas vidas. Nosso livro foi publicado e virou filme. E eu espero até hoje nosso reencontro. Espero que esta parte de mim, que adormece, acorde para voarmos e sermos livres novamente.

Eliane Santos

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Palavras ao vento

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Por vezes quis escrever. Sobre mim, sobre você, mas faltou-me palavras para expressar sinceramente os pesares e as alegrias da alma.

Muitas vezes me encontrei diante delas, pois elas que davam vida as fantasias mais loucas, aos pensamentos mais ternos e aos delírios mais insetos.

Pensei que jamais iria escrever.  Elas sabem quem as amei mais que tudo nesta vida, e como num passe de mágica voaram para bem longe…

Hoje retorno, meio cambaleando, forçando o coração a vomitar as palavras que por tanto ficaram adormecidas em algum lugar…

A necessidade de escrever é tanta, e o sonho de estar face a face com esta identidade que em mim aflora…

Me desfaço em mil pedaços somente para me refazer e escrever… faço com medo de errar, mas com a destreza de uma criança.

Não sou poeta, não senhor, não sou conhecedora de mundos, nem encantadora, sou apenas eu, com defeitos e faces amassadas, com arremessos errados e talvez com uma xícara de chá de meias palavras para aquecer o coração.

Alguém, um dia, já me disse que as palavras moram em meu coração. Mas na verdade elas nascem de lá, para então fazer morada em outro lugar. E que este lugar seja o em você…em sua alma…no seu ser…

Levar as palavras para morar ai, dentro de você. Com um pouco de doce, ou um azedinho bom, com cuidado mas sem invadir, porque quem invade é ladrão, peço licença para entrar, de mansinho, devagar e sem pressa… E luto para vencer o medo, e me deixo aqui exposta para você. Só para você.

Que então de mãos dadas possamos caminhar juntos e conhecer o mundo que faz parte de mim e de você. Te aguardo sem pressa, como o menino que espera, sua doce raposa ao seu encontro encantar.

Eliane Santos

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