A saudade tem destas coisas

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Lembro-me de ver-te partir, sem malas, sem sonhos, sem o amor que te dei.

O vestido balançava ao vento, as mãos seguravam as lágrimas. Tinha naquele momento apenas  o sopro quente abafado das locomotivas do trem, como uma canção de despedida. Por entre meus dedos um lenço voava , e um amor partia.

O dia estava mais lindo que nunca, as flores pareciam cantar, pareciam te seguir e eu as odiava naquela tarde. O que não é natural pois em outras tardes eu as beijava e as colhiam para um café com biscoitos amanteigas.

Mas hoje, só via chuva em um dia ensolarado, só via trevas nos mais claros raios de sol. E a neve que caia e o frio maldoso que me consumia.

Pois foi o amor, que partiu sem aviso prévio, que saiu e não apagou a luz, que tomou o café e seu cheiro ainda ficou…

Te deixei ir, por fim, só o que sobrou foi um sorriso seu, e as amélias a beira dos passeios quebrados, as janelas abertas e seu violão desafinado.

 

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